Criou-se uma falsa dicotomia entre
crescimento econômico e políticas sociais, como se estas não dependessem
daquele. Quando uma economia para de crescer, o governo precisa apertar
os cintos, cortar gastos, fechar a torneira. E isso afeta os programas
sociais, claro.
A alternativa é produzir inflação, o que
representa um imposto perverso sobre os mais pobres. De uma forma ou de
outra, o social é duramente prejudicado pela ausência de crescimento da
economia. Um país estagnado pune de forma desproporcional os mais
pobres.
Quem reforçou
esse alerta foi o empresário Jorge Gerdau, que já esteve mais próximo
do governo Dilma, tentando levar algum bom senso da iniciativa privada
para a gestão pública. Hoje ele reconhece que não é algo simples, pois o
mecanismo de incentivos é diferente: ao contrário da empresa, o governo
não corre o risco de “morrer”. Suas trapalhadas recaem sobre ombros
alheios.
Para Gerdau, falta
visão estratégica ao governo. Qual será a postura externa adotada pelo
governo? Será mesmo na linha do Mercosul, ou há chance de seguirmos na
linha do Pacífico e nos aproximarmos dos Estados Unidos? Sem tais
definições, os empresários não conseguem investir pesado, pois temem um
futuro sombrio. Dezenas de bilhões aguardam por definições na gaveta.
Em evento da Lide, Gerdau chegou a
criticar a postura do governo em relação ao Bolsa Família, alegando que
deveria ser comemorado quando alguém deixa o programa
assistencialista, não quando mais gente entra nele, dependendo do
estado. É preciso valorizar o trabalho. “Quem caça come, quem não caça,
não come”, resumiu. Nossos valores invertidos têm privilegiado quem não
produz.
Jorge Gerdau sempre defendeu abertamente a
importância da economia de mercado como locomotiva do progresso social.
Em tempos mais recentes, tentou colaborar com o governo Dilma, dando
conselhos, buscando levar essa mensagem mais liberal aos governantes.
Sua decepção tem sido visível.
Chegou a chamar
de “burrice” criar tantos ministérios, o que tornaria inviável o
governo. Dilma diz que é “lorota” essa suposta necessidade de reduzir a
quantidade de ministérios. Algumas pessoas são mesmo impermeáveis à
razão. Gerdau deve ter descoberto isso na prática, tentando persuadir
Dilma e sua equipe com argumentos lógicos…
Rodrigo Constantino
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